quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Conhecem ´bagres ensaboados´?

Explico àqueles que ainda não viram o que é um bagre, peixe que vive tanto no mar quanto nos rios e lagoas: ele tem dois espinhos, um de cada lado, para se defender quando você quer pegá-lo nas mãos. O restante do seu corpo é liso ao extremo, daí o uso do termo `bagre ensaboado´, é como se tivesse sabão, tão liso que é.

Pois muitas pessoas do nosso conhecimento são chamadas de `bagres ensaboados`, principalmente quando um radialista ou jornalista as entrevistam e querem conhecer a sua opinião ou a sua posição sobre determinados assuntos, mais quando os assuntos exigem um posicionamento ou uma decisão.

Ouvi hoje pela CBN, de tarde, a entrevista dada pelo deputado Nelson Justus, atual presidente da nossa fervilhante (borbulhante seria designação melhor) Assembléia Legislativa do Paraná. O Marcos Tozzi queria saber do político o porquê da Casa não divulgar mensalmente a aplicação das verbas indenizatórias que cada um dos `nobres deputados` percebe. Ou seja, se a verba é indenizatória, está no termo, ´indeniza´o erário público com algumas despesas. Se a verba é pública, deve ser transparente, o povo deve e ou pode saber do seu destino, de sua aplicação. Pois o presidente da Assembléia enrolou, fugiu da resposta por várias vezes. Só chegou a dizer que sim, ela deve ser transparente, depois de série de incursões verbais do radialista. Aí, pensei, achei mais um `bagre ensaboado`...

É comum você querer acompanhar determinados assuntos, notadamente aqueles que falam de desvios, corrupções, etc, e na maior parte das vezes se consegue ouvir respostas ou colocações nada definidas, nada esclarecedoras, e quem é entrevistado sobre o tema dá uma de ´bagre ensaboado´. Vocês se lembram de como foi o noticiário nacional e internacional sobre os desvios do finado Banestado, quando todos os políticos influentes do país, paranaenses em maior parte, usaram e abusaram do envio de dinheiro para contas no exterior? Desafio quem me diga que a coisa ficou explicada e resolvida com algum retorno dos desvios para o sofrido erário público. Prenderam peixes pequenos e engavetaram o assunto, com CPI e tudo. Imaginem quantos `bagres ensaboados` encontraríamos nesse processo.

Quando você ouvir alguma coisa nesse sentido, com novos ou antigos `bagres ensaboados` no nosso dia-a-dia, me avise, ok? Vamos tentar nos divertir, mesmo que entristecidos.

Memória é mesmo curta

Vejam se não tenho razão em dizer que a memória é curta, quando se acompanha o noticiário oficial e oficioso:

Pouco se fala sobre nomes de algumas figuras desta República que se escondem sob os mantos de representações parlamentares para não serem presos por crimes de contrabando, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, etc. Quem se lembra de Ibraim Abi-Akel, o ministro pego em flagrante com contrabando de diamantes num aeroporto? Pois ele se esconde até hoje, mesmo que o crime tenha prescrito pelas leis desta República dominada pelo presidencialismo imperial, na Câmara de Deputados, chegando a ser até relator de importantes projetos!

E onde estaria aquela impoluta figura chamada Jader Barbalho que comandou um dos maiores desvios de dinheiro da SUDENE e de outros setores oficiais da União? Está quietinho, bem quietinho, votando com o governo de olhos fechados, na Câmara Federal. E ninguém bole com ele, pois se abrir o bico vai espalhar cheiro em toda a República das bananas e dos subservientes.

Vocês se lembram em quem votaram nas duas últimas eleições? Duvido que se lembrem dos nomes urnados para as Câmaras, o Senado, os municípios.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Então, tá (II)

Fundo perdido
Você é impelido a dar a sua contribuição para ajudar o Brasil na crise de combustível, várias décadas atrás, que se chamava empréstimo compulsório. Passada a crise, a União, em alguns Estados, devolveu o tutu emprestado, mas a Justiça foi apagando, na certa conivendo com os administradores federais de plantão, a compulsória ajuda. E todos esqueceram o assunto. Então, tá.

CPMF para o cáos da saúde
Você se sensibiliza diante da falta de dinheiro para atender às necessidades da saúde no Brasil e vai aceitando a existência da Contribuição PROVISÓRIA de Movimentação Financeira. A cada governo, continua 'provisória permanente'. O PT do Lula, Zé Dirceu, Genoino e dos 40 novos milionários do país criticava sua existência antes de assumir e passou a adorar o tutu quando no governo, querendo repeteco do dito por mais tempo. Ao ponto de negociar com qualquer um pela sua continuidade e um ministro paranaense, Paulo Bernardo, conivente com o descalabro nada provisório, achando que a CPMF deve ser permanente. Haja engov. Então, tá.

Engabelando no gás que não temos
A privatizada Petrobras - que não é brasileira, diante da maioria de suas ações rentáveis nas mãos do capital estrangeiro - tinha gás demais e, em nome do Governo de então, incentivou a todos os proprietários de veículos para que o usassem, chegando a oferecer IPVA menor, mesmo que nos esquemas paralelos haja cobranças de agentes aferidores de cilindros, selos, etc. Pois bem: deu de presente usinas da Petrobras ao 'cumpaniero Morales' na Bolívia, passivamente recuou em qualquer reclamação e agora vai de rabo entre-pernas pedir ao dirigente boliviano um volume maior de gás. O povo é o último a ser atendido em suas necessidades, pois primeiro virá mais gás para gerar energia, atender indústrias e o que sobrar fica com os motoristas que foram de novo ludibriados pelo seu desgoverno, através de um plano comercial e ilusório da privatizada Petrobrás (O petróleo NÃO é mais nosso!!!). Então, tá.

Pelo meu humor de hoje, parece que tive que pagar muitas contas dos impostos que crescem a cada dia na minha vida... Então, tá.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

E não é que o `visage´ deu as caras!

No noticiário mais policial do que jurídico, eis que apareceu semana passada a denúncia de irregularidades registradas com loteamento irregular no Município de Guaratuba chamado Jardim Village. Veio-me na lembrança um fato em que foi quase envolvido nisso.

Estava sendo transferido para Curitiba, no meu trabalho, e possuía um título patrimonial do Cascavel Country Club para vender ou entregar para quem estivesse interessado. O Irino, colega de trabalho, queria comprar o título e me ofereceu, em troca, um lote no Jardim Village de Guaratuba. Nem pensei em valores, como estava me mudando para a Capital, transferi o título para o nome do colega engenheiro e aceitei a troca/venda; fiquei com um documento, passado em cartório, em que dava orientações sobre o lote.

De posse do documento, antes de transferir para meu nome, fui localizar o dito em Guaratuba. Depois de procurar por ruas e ruelas em direção ao chamado loteamento, já que ficava perto de um aeroporto velho conforme me informavam os moradores dali, encontrei o lote. Mas, até chegar ali eram vários os transeuntes que não sabiam onde ficava o Village. Um deles, perguntado perto de sua casa, lembrou-se e exclamou que o que ele conhecia era um loteamento chamado Visage, ou seja, uma ilusão de ótica, todos achavam que ali perto do velho aeroporto havia um loteamento mas que os terrenos não estavam ocupados e que ninguém conseguia chegar nos lotes que considerava sendo seus.

E cheguei até um barranco de um rio. Por um mapa manuscrito, encontrei o dito: estava dentro do mangue, na água. Dei meia volta e esqueci com o tempo que eu teria algum direito, se fizesse a transferência, no lote manguesado... Vejo agora que aquela área é local de preservação ambiental.

Deixei o assunto em stand bye, ou seja, no arquivo morto e somente agora soube que aquilo tinha sido aprovado pela Prefeitura, que fez mapeamento e deve ter cobrado IPTU durante estes quarenta anos. O cartório fez escrituras de compra e venda e deu ares oficiais ao loteamento. Para tomar posse oficial, faltou o registro de imóveis, que constatou a irregularidade.

Que pena, pois tantas pessoas foram ludibriadas, aplicaram suas economias na compra de lotes frios e parece que isso fica por isso mesmo...

Reféns e agruras na própria arapuca

Quando se pensa um pouco - nos dias atuais parece que até isso vai ser taxado com imposto - a gente começa a pontuar alguns tópicos da nossa atribulada, incompreensível na maioria das vezes, vida urbana.

Você resolveu morar na cidade, de preferência perto do centro ou mesmo próximo a um ponto de ônibus. Conseguiu uma morada, podendo ser casa, apartamento, apart-hotel ou pensionato. Se é de sua propriedade, beleza, você é um vencedor. Começa aí a sua luta: pagar IPTU, taxas de iluminação pública e de coleta de lixo, energia elétrica, água, esgoto, jardineiro se tem jardim em casa, condomínio se tem apartamento, telefone, TV a cabo, internet banda larga. Não para aí a coisa.

Para ir e vir, você deve ter contribuído para a calçada que foi implantada em frente de sua morada, individual ou coletivamente. O padrão da calçada, embora você tenha pago, é definido pela Municipalidade, na passividade evidente sua, pois o material ali aplicado foi escolhido pelo Município e este quis que fosse com pedras que normalmente são tropicantes, ou seja, você, ao andar por ela, só tropeça e se acidenta.

Se você tem casa, ela seguramente não é segura, precisa erguer altos muros e contratar vigilância, entregar chaves de sua morada para que uma empresa ou um grupo de vigilantes zele por ela. Se tem apartamento, você deve ficar atento quando o condomínio contrata firma com seus itinerantes porteiros, zeladores. Vez por outro, o seu próprio apartamento é invadido por meliantes que perneiam no seu bairro ou na sua quadra.

Na sua morada, você certamente não se preocupou com a fiação de energia elétrica, normalmente foi usado o material mais em conta, ou seja, insuficiente para mover os dezenas e cada vez mais crescentes aparelhos adquiridos pela sua também crescente necessidade de viver com mais conforto na cidade. TVs, fax, computadores, banda larga, tevê a cabo, relógios, geladeira(s), fogão elétrico com acendedores idem, forno elétrico, máquinas de lavar roupa e louças, secadora, fones sem fio, carregadores de pilhas. Resultado: as chaves caem por vezes e a conta é cada vez maior para o seu sofrido bolso... E quando falta energia, como aconteceu semana atrás com as tormentas e chuvas de pedra na cidade de Curitiba? Cáos no seu dia-a-dia. Imaginem o transtorno vivido pela população quando 49 bairros ficaram sem energia num cair da tarde e início da noite!...

Se você tem alguma propriedade, ou mora, na área rural, a coisa então é mais caótica ainda. Em Araucária, por exemplo, você chega a ficar um ou dois dias sem energia elétrica, pela falta de um programa de melhoria da concessionária. Grudado na área urbana de Araucária, por exemplo, os moradores de Roça Velha, Roça Nova, Santo Estanislau, Colônia Cristina e mais dezena de localidades rurais, ficaram em dois dias mais de 10 horas em luz. Quando você ligava para o atendimento, a resposta sempre era que houve muitos acidentes e que eles estavam se comunicando com o serviço de emergência para resolver o problema. Ou seja: quem depende da energia na área rural está ralado, fadado a se sentir ilhado. E dá-lhe queimar velas e mais velas ou querosene (ainda há, e muito, por ali!) de suas lanternas...

Poderia continuar com rosário de situações vividas por quem escolheu viver os benefícios da área urbana ou o que se imaginasse em ter conforto na tranqüilidade da vida no meio rural. Somos mesmo reféns da nossa própria expectativa de uma vida mais confortável. Delegamos a servidores públicos e privados, pagando altos valores por isso, tarefas de nos oferecer mais conforto e mais qualidade de vida e eles estão cada vez mais distantes dos nossos sonhos pessoais.

Confesso que, nestes raciocínios gratuitos de uma segunda-feira amena, vislumbro dias cada vez mais complicados. Oxalá o meu otimismo por um mundo melhor não seja atropelado pela falta de responsabilidade de quem nos administra, pois continuamos passivos nos reclamos e nas cobranças que cada cidadão deveria fazer.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

E surgiu um tucano no Passaúna!

Vocês podem ficar imaginando que estou delirando ao dar esta informação: tomando meu café matinal aqui na chácara à beira do Lago Passaúna, onde fico mais tempo durante a semana, eis que vislumbro pela janela um belíssimo tucano! Sim, um tucano que solta um som cortante, como que anunciando sua existência e sua visita...

Primeiro, ficou no topo de uma das árvores, de olho no ninho de pássaros que, com patas e bicos lutam para que o visitante não ataque seus ovos e seus filhotes. Eu nem imaginava que tucanos são predadores, apreciam não só frutas mas ovos e pequenos pássaros. Pois ele ficou vários por aqui, até se exibindo nuns galhos de aroeiras, bem pertinho da varanda da casa. Consegui tirar fotos dele, bem boas, que mostro a vocês neste blog.

Ao anunciar a novidade desse multicolorido visitante, soube pelo primo Mário Lesniovski, meu vizinho aqui no Passaúna, que havia semanas atrás em seu bosque mais de cinco tucanos. Ele deu comida a eles mas depois de alguns dias foram adiante ou foram apanhados. Soube de Maria Arlete, a diretora de meio ambiente da Sanepar, que houve punições a alguns moradores que aprisionaram tucanos em suas propriedades. Mania gozada de gente que não quer apreciar o belo apenas, prende as aves de uma forma lamentável, ou para vender ou para apenas deixá-las presas em gaiolas!...

Claro que a vinda desses pássaros aqui ao redor do Passaúna se deve à falta de mais bosques no Estado. Elas procuram alimento e lugar para se reproduzirem e nossos pequenos bosques servem como novo ´habitat´ ou, pelo menos, onde ficar por alguns dias, algumas semanas.
Fico feliz em rever tais aves e procuro preservar.

Elas são aves lindas, ah, isso são.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Escrever e falar são importantes, mas...

Fico pensando, na maioria das vezes e nos últimos tempos, se não estou ficando velho, inclusive nos pensamentos e raciocínios, quando tento acompanhar os acontecimentos ao meu redor. Vejam essa do governador Arruda, de Brasília, quando decretou a demissão do uso do gerúndio em todos os procedimentos dos funcionários do seu Governo, alegando que isso, esse modo de falar e escrever, estaria tornando o serviço público cada vez mais ineficiente.

Se foi para chamar a atenção de todos e aparecer na mídia e nos meios semi e intelectuais, conseguiu. Poderia chamar seu pessoal de recursos humanos (se é que essa área tem alguma valorização nos meandros politiqueiros e urneiros nas atuais gestões brasileiras) e determinar cursos de atualização e de procedimentos diante dos vícios de atendimento público. Poderia reciclar suas chefias e subordinados para melhorar o serviço público. Resolveu fazer reprimendas por decreto. Aliás, escolha também válida para dar puxões de orelhas nos seus servidores.

Já participei de programas em que se faziam palestras e instruções de atendimento público, quando servi na Assessoria de Relações Públicas na Copel. Nossa orientação principal era dizer aos colegas que tinham contato com o público consumidor que os nossos patrões eram exatamente os nossos consumidores. Como naquela época o Governo do Estado tinha na Copel mais de 90% de suas ações, ordinárias e preferenciais (hoje tem pouco mais de 50%), natural que todos os paranaenses eram os principais patrões dos servidores da empresa de economia mista. Assim, nada de engamelar os patrões, era essa a nossa orientação. Pode ser que aí foi um dos motivos porque tantos paranaenses se orgulhavam de sua empresa, pois eram tratados com educação, atenção.

Mas, quando as empresas e os Governos ficam cada vez mais burocratizados, chefias são indicadas pelos fisiológicos dirigentes de partidos políticos, servidores passam até de forma natural a apenas cumprir o expediente e, se puderem, empuram os assuntos de suas visíveis responsabilidades com trejeitos, frases comuns cacoetadas e uso de termos que possam agradar naquele momento o interlocutor. O gerundismo é umas das boas armas deles. Vou ficando, vamos administrando, vamos enrolando.

E os outros cacoetes de linguagem? Como soa mal aos ouvidos o uso difereciado da pronúncia de algumas palavras na rádio, na TV e nas entrevistas! Vocês já ouviram, e se aceita até de modo passivo, aqueles radialistas e apresentadores de TV acentuarem o Párana, o Brásil e outras palavras para talvez se destacarem como profissionais da comunicação. Tudo bem que nossa língua deriva do latim, uma língua morta, mas ela deveria ser tratada como uma língua a ser sempre aperfeiçoada, em que a sonoridade tivesse uma marca de crescimento, de agrado.

Não sei bem como enfrentar tudo isso, o gerundismo, a falta de responsabilidade em tratar as coisas públicas ou mesmo como melhorar o mundo que nos cerca. Tenho a impressão que os estudiosos e os incentivadores por uma forma melhor de viver, de sentir e de se comunicar estão recolhendo suas armas, o conhecimento, o exemplo, com seus valores e dissabores.