Um cidadão comum, como a gente, poderia imaginar o que acontece nos bastidores e nos esquemas internos das casas legislativas deste nosso rincão brasileiro? Difícil, sim, aceitar muitas coisas que os nossos ´representantes´ fazem quando no exercício da confiança que depositamos neles. No caso do Senado Federal, estamos vendo o que ocorre quando um diretor geral é afastado das funções e continua na casa, percebendo seu rico provento mensal e sem ter que explicar como conseguiu amealhar tantos recursos para possuir um palacete em pleno lago da Ilha da Fantasia que é a nossa Brasília, a famosa capital federal. Na sequência, 146 cargos comissionados de diretores, assessores e etc. foram defenestrados por serem imorais e ilegais, no mínimo poderíamos chamar de mordomias adicionais às custas do erário público... Mas seus empregos continuam lá, sob as bençãos dos srs. senadores, nossos ´representantes´.
Se lá no Senado acontece isso, imaginemos o que ocorre na Câmara Federal, nas Assembléias Legislativas dos Estados e nas mais de 5500 Câmaras Municipais brasileiras. Para não ir tão longe, apenas ficando nas nossas proximidades, quero lembrar uma vivência minha num município do Litoral do nosso Estado, o Paraná. Conheço vários vereadores dali, e um deles, um dia, quando estava em sua loja de material de construção, ofereceu-me abertamente o uso de seu computador, do sinal de sua internet, que eram pagos pela Câmara Municipal. Em sua casa, sim! Ele tinha também um celular, doado pela sua Câmara Municipal, sem ter que pagar nada pelo seu uso. Toda a despesa era coberta pelo Legislativo ou, na verdade, pela população, por nós mesmos, os bobos que acreditam que as funções a eles delegadas seriam exercidas com comportamento justo, ético, moral. E tinha também uma Kombi para fazer os trabalhos assistenciais junto aos seus eleitores, com manutenção e combustível bancados pelo erário, pelo bolso dos habitantes.
Vamos lá que generalizar seria injusto com algumas Câmaras que tem mesas diretoras corretas e normais, diante do comportamento ético representativo ideal. Mas, se 5 mil Legislativos, com uma média de 9 a 12 vereadores, oferecem esse tipo de mordomias, podemos aquilatar o volume de recursos públicos malversados e postos pelo ´ladrão´, sem que isso represente melhores condições de vida dos cidadãos comuns como você e eu. Ganha-se uma representação e exercita-se a Lei de Gerson diante dos promotores, procuradores, juízes, enfim, da justiça que permanece cega e quer continuar assim por muito tempo.
Ah, se a nossa Constituição fosse cumprida!...
Este blog ousa querer aumentar o conhecimento, registrando pensamentos, experiências, vivências, trocas. Afinal, são quase 50 anos buscando errar menos, acertar mais, ajeitar formas para entender e ampliar horizontes, ocupar os espaços, ser útil, fazer acontecer. E ter em mente que os próximos segundos, minutos, horas e dias serão bem melhores. Aceita-se todo tipo de ajuda, desde que tenha e ofereça otimismo. É a nossa declaração de princípios.
quarta-feira, 18 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
Entender o que é justo...
Podemos entender o que significa na realidade a palavra justiça? Vejam o que acontece ao nosso redor, quando lemos que um médico foi condenado a fornecer algumas cestas básicas para uma associação beneficente como castigo por ter usado recursos do SUS para fazer uma cirurgia e por fora cobrou mais de 7 mil reais de um cliente. Não consta, na decisão do meretíssimo juiz, de que o médico devolveu ao cliente a quantia que cobrou indevidamente, ilegalmente... E nem que devolveu ao SUS o valor da tabela, também embolsado...
Milhares de municípios cobraram dos servidores públicos ou contratados o valor destinado ao INSS durante largos anos e não depositaram essas importâncias como deveriam. Ou seja, desviaram os recursos sagrados tirados do sofrido salário dos seus funcionários. Como não repassaram aqueles valores, tornaram-se inadimplentes perante a União, diminuiram o montante ali ´gerenciado´pela República Federativa e ganharam recentemente um prêmio: podem pagar o que desviaram por largos anos, sem qualquer punição ou justa explicação. E a União alardeia que não possui recursos para pagar o justo aos aposentados que depositaram de 30 a 35 anos para terem um final de existência tranquilo. A teta dá leite para todos, menos para aqueles que JUSTAMENTE depositaram numa conta que se imaginaria seriamente administrada.
Entender o termo justiça fica difícil quando se observa que pessoas como Ibrahim Abi-Ackel, Jader Barbalho, Renan Calheiros e outros comandaram decisões importantes neste Brasil e continuam exercendo funções sem que devolvessem os recursos do povo desviados a seu bel-prazer.
Milhares de municípios cobraram dos servidores públicos ou contratados o valor destinado ao INSS durante largos anos e não depositaram essas importâncias como deveriam. Ou seja, desviaram os recursos sagrados tirados do sofrido salário dos seus funcionários. Como não repassaram aqueles valores, tornaram-se inadimplentes perante a União, diminuiram o montante ali ´gerenciado´pela República Federativa e ganharam recentemente um prêmio: podem pagar o que desviaram por largos anos, sem qualquer punição ou justa explicação. E a União alardeia que não possui recursos para pagar o justo aos aposentados que depositaram de 30 a 35 anos para terem um final de existência tranquilo. A teta dá leite para todos, menos para aqueles que JUSTAMENTE depositaram numa conta que se imaginaria seriamente administrada.
Entender o termo justiça fica difícil quando se observa que pessoas como Ibrahim Abi-Ackel, Jader Barbalho, Renan Calheiros e outros comandaram decisões importantes neste Brasil e continuam exercendo funções sem que devolvessem os recursos do povo desviados a seu bel-prazer.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Pelos semblantes
Tenho um problema muito grande: não sei blefar. E isso foi sentido quando, morando e trabalhando em Cascavel, Paraná, em jogos de poquer entre amigos, sem envolvimento de somas de dinheiro, um companheiro meu, Dimer Webber, revelou: "polaco, eu sei quando você tem carta boa ou ruim, pelos seus olhos. Basta eu olhar para você e saber que você está blefando ou tem cartas". Isso me vem quando olho fotografias de determinadas pessoas, políticas principalmente, e, pelo semblante delas, dá para registrar/imaginar o que elas, por dentro, sentem.
Vejam a foto que está publicada hoje nos jornais, o Diário Catarinense, à página 6, ´Política´, com os senadores Ideli Salvatti, Mercadante e Fernando Collor enfileirados e atrás mais um senador de sorriso aberto, um outro ao seu lado de cara de muxoxo e mais Osmar Dias de olhos para baixo, como que envergonhado. No rosto de Ideli, dá para sentir, rugas na testa, olhos estalados, mão disforme com dedo em riste, o aspecto real de ter sido traída; ao lado, Aloisio Mercadante, do seu partido, como um lorde negociador, olhos abaixados, deve ter dito/pensado: "é uma pena"; e ao lado de Mercadante, o Imperador avassalador Fernando Collor, olhar firme, quase debochado, qual ditador feliz por ter mandado para a guilhotina (aqui, sem cordas, machados e sem cadafalsos físicos) os seus eternos desafetos, não importa se estavam ali na época em que ele foi defenestrado pelas maluquices presidenciais.
No jornalismo crítico e realista, essa foto nem precisaria de legenda para mostrar em que ponto estamos na política brasileira. Um mercado livre e aberto, pouco importando a ética, a representatividade popular, o cumprimento aos preceitos constitucionais. Os historiadores brasileiros devem estar rubros de raiva ao tentarem registrar os fatos e os feitos deste pobre Brasil que ainda vive nos tempos dos coronéis, amarrado num quadro político-partidário injusto, distribuindo favores e louvores inconsequentes. Pena, muita pena.
Vejam a foto que está publicada hoje nos jornais, o Diário Catarinense, à página 6, ´Política´, com os senadores Ideli Salvatti, Mercadante e Fernando Collor enfileirados e atrás mais um senador de sorriso aberto, um outro ao seu lado de cara de muxoxo e mais Osmar Dias de olhos para baixo, como que envergonhado. No rosto de Ideli, dá para sentir, rugas na testa, olhos estalados, mão disforme com dedo em riste, o aspecto real de ter sido traída; ao lado, Aloisio Mercadante, do seu partido, como um lorde negociador, olhos abaixados, deve ter dito/pensado: "é uma pena"; e ao lado de Mercadante, o Imperador avassalador Fernando Collor, olhar firme, quase debochado, qual ditador feliz por ter mandado para a guilhotina (aqui, sem cordas, machados e sem cadafalsos físicos) os seus eternos desafetos, não importa se estavam ali na época em que ele foi defenestrado pelas maluquices presidenciais.
No jornalismo crítico e realista, essa foto nem precisaria de legenda para mostrar em que ponto estamos na política brasileira. Um mercado livre e aberto, pouco importando a ética, a representatividade popular, o cumprimento aos preceitos constitucionais. Os historiadores brasileiros devem estar rubros de raiva ao tentarem registrar os fatos e os feitos deste pobre Brasil que ainda vive nos tempos dos coronéis, amarrado num quadro político-partidário injusto, distribuindo favores e louvores inconsequentes. Pena, muita pena.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Verdadeiro Trem da Alegria, com o erário público
O que mais indigna o cidadão comum é que as aposentadorias normalmente são concedidas proporcionalmente à sua contribuição: por que os deputados não criam um fundo de aposentadoria com base ao tempo e ao valor de suas próprias contribuições, ao largo dos seus mandatos? Há deputado com mais de 20 anos de atividades. Será que pública emborca a sensibilidade dos que representam parcelas da população? Ou atacam o erário público sem ficar vermelhos de vergonha? Dizer-se impotente para reagir ou agir com dignidade e honestidade é falta de capacidade representativa. Tomara que o povo não esqueçca desses atuais deputados na próxima eleição.
Ora, isso não é de ninguém!
Falta da escolaridade, inexistência de valores em muitas famílias e até na escola hoje em sucateamento generalizado, maus exemplos das autoridades com a coisa pública parecem que incutem no cidadão comum o raciocínio de que qualquer bem, móvel ou imóvel, não é de ninguém, ganha quem chega antes.
Estarrecedores os registros televisivos desta terça-feira, dia 16 de dezembro, ao serem constatados desvios, na verdade roubos, de produtos doados pelos brasileiros para os flagelados das enchentes catarinenses. Gente jovem, voluntária ou por dever de serviço, aproveita-se e se apropria daquilo que não é seu, daquilo que se destina a quem realmente sofreu e sofre com a falta de ação governamental na prevenção de situações de risco que por vezes é previsível.
Triste é viver numa terra onde todos, de cima para baixo ou de baixo para cima, usam a malfadada Lei de Gerson, “levar vantagem em tudo, certo?” Se um soldado, ainda jovem começando a vida e recebendo instruções cívicas nos quartéis e nos pátios sobre ordem e progresso, acha que as doações do povo brasileiro não são de ninguém, imagine-se o que acontece na vida de quem recebe delegação de representatividade popular nos demais escalões das autoridades brasileiras...
Bondade e solidariedade, pelo visto, não são de ninguém.
Estarrecedores os registros televisivos desta terça-feira, dia 16 de dezembro, ao serem constatados desvios, na verdade roubos, de produtos doados pelos brasileiros para os flagelados das enchentes catarinenses. Gente jovem, voluntária ou por dever de serviço, aproveita-se e se apropria daquilo que não é seu, daquilo que se destina a quem realmente sofreu e sofre com a falta de ação governamental na prevenção de situações de risco que por vezes é previsível.
Triste é viver numa terra onde todos, de cima para baixo ou de baixo para cima, usam a malfadada Lei de Gerson, “levar vantagem em tudo, certo?” Se um soldado, ainda jovem começando a vida e recebendo instruções cívicas nos quartéis e nos pátios sobre ordem e progresso, acha que as doações do povo brasileiro não são de ninguém, imagine-se o que acontece na vida de quem recebe delegação de representatividade popular nos demais escalões das autoridades brasileiras...
Bondade e solidariedade, pelo visto, não são de ninguém.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Coisas de viagens
Você se imagina viajando para descansar, rever amigos e familiares, conhecer novos lugares, buscar negócios, estudos, enfim, está ali carregando malas e maletas, cheias principalmente, e não lhe ocorre que vai enfrentar algumas coisas bem curiosas, ou quase isso.
Caso de gente que senta ao seu lado, às vezes bem maior do que a capacidade da poltrona. E, pior, quando senta na janela ou no meio do setor central, parece que ele é que levou azar de ir ao banheiro mais vezes que você.
Desta viagem que estou acabando de fazer, por exemplo, tive que enfrentar um companheiro de viagem, entre Salt Lake City e Los Angeles, que não conseguia parar de mexer com a perna direita, fazendo algum barulho, quando não encostava no seu joelho. Pensei em perguntar se ele tinha algum problema, se era um cacoete, se estava nervoso, mas isso iria iniciar uma conversa que talvez derivasse para clima nada interessante. Nem mesmo depois, quando no ar, ele parou de mexer rapidamente com a perna...
As empresas aéreas descobriram um bom filão agora com os excessos de peso de malas dos passageiros. Foi-se o tempo em que você fazia uma viagem internacional e podia levar duas malas de até 32 kh cada. Hoje, tanto nos vôos internos quanto nos internacionais, são 2 kg e o restante você deve pagar. Algumas empresas brasileiras, como a TAM e a Gol, dão alguma fechada de olhos dependendo do número de passageiros. E tudo, a cada aeroporto que você 'visita', cada ocorrência lhe tira não menos que 50 dólares...
Em viagens mais longas, era comum assistir de forma coletiva a filmes. Hoje a coisa está evoluída, pois cada assento possui um aparelho para ver filmes e programas, ouvir, jogar, etc. Facilidade e conforto de um lado mas algum incômodo de outro, pois as empresas embutem anúncios a cada busca de filme ou programa de TV. Mas, como você tem poucas opções, sendo uma delas desligar tudo e totalmente, o jeito é absorver ou se estressar com as peças publicitárias.
Viajar é abrir horizontes, sempre se ouvia isso, e ainda se ouve, mas ultimamente você ter que tirar o cinto com fivela de metal, os sapatos, tirar o boné, relógio, óculos e outros instrumentos pessoais chega a ser risível. Mas, como isso se imagina fruto de sandices e burrices de alguns, a gente agüenta e se submete, afinal está indo e vindo neste mundo. Os erros de uns condenam a todos.
Caso de gente que senta ao seu lado, às vezes bem maior do que a capacidade da poltrona. E, pior, quando senta na janela ou no meio do setor central, parece que ele é que levou azar de ir ao banheiro mais vezes que você.
Desta viagem que estou acabando de fazer, por exemplo, tive que enfrentar um companheiro de viagem, entre Salt Lake City e Los Angeles, que não conseguia parar de mexer com a perna direita, fazendo algum barulho, quando não encostava no seu joelho. Pensei em perguntar se ele tinha algum problema, se era um cacoete, se estava nervoso, mas isso iria iniciar uma conversa que talvez derivasse para clima nada interessante. Nem mesmo depois, quando no ar, ele parou de mexer rapidamente com a perna...
As empresas aéreas descobriram um bom filão agora com os excessos de peso de malas dos passageiros. Foi-se o tempo em que você fazia uma viagem internacional e podia levar duas malas de até 32 kh cada. Hoje, tanto nos vôos internos quanto nos internacionais, são 2 kg e o restante você deve pagar. Algumas empresas brasileiras, como a TAM e a Gol, dão alguma fechada de olhos dependendo do número de passageiros. E tudo, a cada aeroporto que você 'visita', cada ocorrência lhe tira não menos que 50 dólares...
Em viagens mais longas, era comum assistir de forma coletiva a filmes. Hoje a coisa está evoluída, pois cada assento possui um aparelho para ver filmes e programas, ouvir, jogar, etc. Facilidade e conforto de um lado mas algum incômodo de outro, pois as empresas embutem anúncios a cada busca de filme ou programa de TV. Mas, como você tem poucas opções, sendo uma delas desligar tudo e totalmente, o jeito é absorver ou se estressar com as peças publicitárias.
Viajar é abrir horizontes, sempre se ouvia isso, e ainda se ouve, mas ultimamente você ter que tirar o cinto com fivela de metal, os sapatos, tirar o boné, relógio, óculos e outros instrumentos pessoais chega a ser risível. Mas, como isso se imagina fruto de sandices e burrices de alguns, a gente agüenta e se submete, afinal está indo e vindo neste mundo. Os erros de uns condenam a todos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Ser vendedor...
Levei bom tempo para descobrir que sou um vendedor. Isso demorou porque nunca admiti que tinha aptidões para. Esqueci na verdade o fato de que, pequeno, ganhava das minhas tias Sofia e Guênia as sobras das verduras que tinham levado para vender nas feiras livres de Curitiba ou nas quitandas de seus contatos. Como não queriam levar de volta, deixavam comigo as verduras e eu, de carrinho, oferecia às vizinhas da rua Pará e Paranaguá. Num tapa as consultadas abasteciam suas casas de verduras frescas, sem qualquer agrotóxico. Tinha sempre um dinheiro acumulado, por horas, claro, fruto das minhas vendas.
Meu primeiro emprego foi um armazém de secos e molhados, ma rua Engenheiro Niepce da Silva, com o Arthur e Osny Feld. Menor de idade, carteira assinada, aprendi um pouco da arte de atender à freguesia, como servir cachaça em copinho pequeno para os habituês, medir/pesar mercadorias e entregar aos clientes.
Quando ingressei no jornalismo, aos 17 anos, tendo carteira assinada no dia 01 de dezembro de 1963 apenas, fiquei distanciado de vendas de um modo inconsciente, acho. Aprendia a redigir e enviar as matérias que eram publicadas na 'Última Hora', grande jornal da época, sem vincular seu conteúdo a qualquer sentido comercial, a não ser mesmo fidelizar leitores nos temas trabalhados. Ou seja, vendi ao jornal minha capacidade de trabalhar, vendi meu trabalho. Essa venda ficou apropriada primeiro por UH e depois pelo 'Diário do Paraná', Rádio Colombo, Rádio Cultura do Paraná, e por outros veículos mais, de modo oculto, sem que eu tenha sentido ter vendido o meu próprio trabalho.
Pois bem: a redescoberta de minha condição de vendedor pôde ser registrada com maior evidência e consciência quando fazia compras e vendas, tanto de casas e apartamentos quanto de veículos de minha propriedade. Uma após outra, essas vendas ocorriam sempre de modo satisfatório para ambos os lados, tanto para mim, que conseguia vender, quando para o comprador, que se satisfazia com o que adquirira. Lembro uma vez quando queria vender o meu SP 2 e o tinha exposto numa esquina ideal, na Coronel Dulcídio com Av. Batel: um casal simples, com uma criança no colo, extasiava-se com o veículo e queria porque queria comprar o produto. Eu tive dois ímpetos, um de que sempre dizia a verdade sobre o produto que estava vendendo, ou seja, os seus defeitos, se no motor, se na lataria, e outro porque estava com pena do casal candidato a comprar o veículo. O carro dera-me boas dores de cabeça e eu avaliei que aquele modesto casal teria mais problemas para manter e consertar o veículo quando de seu uso. Falei francamente dos defeitos por um tempo, após o que o sujeito me respondeu: "pelo jeito o sr. gosta muito do carro porque está colocando os defeitos para não vender". Não era verdade no todo, mas, pensei, já que o cara quer, que leve...
Tenho mesmo vendido muita coisa na vida, e todas sempre dizendo a verdade sobre o produto, mesmo que alguns negócios demorem para ser concretizados. Descobrir que somos vendedores é uma boa, desde que tenhamos em mente de que qualquer venda deve ser boa para os dois lados, para quem vende e para quem compra. Se descobrirmos com bastante antecedência de que temos inclinação para negócios, seguramente quando vendermos o nosso trabalho para uma empresa ou uma outra pessoa teremos uma melhor noção do nosso próprio valor...
Você já pensou nisso algum dia?
Meu primeiro emprego foi um armazém de secos e molhados, ma rua Engenheiro Niepce da Silva, com o Arthur e Osny Feld. Menor de idade, carteira assinada, aprendi um pouco da arte de atender à freguesia, como servir cachaça em copinho pequeno para os habituês, medir/pesar mercadorias e entregar aos clientes.
Quando ingressei no jornalismo, aos 17 anos, tendo carteira assinada no dia 01 de dezembro de 1963 apenas, fiquei distanciado de vendas de um modo inconsciente, acho. Aprendia a redigir e enviar as matérias que eram publicadas na 'Última Hora', grande jornal da época, sem vincular seu conteúdo a qualquer sentido comercial, a não ser mesmo fidelizar leitores nos temas trabalhados. Ou seja, vendi ao jornal minha capacidade de trabalhar, vendi meu trabalho. Essa venda ficou apropriada primeiro por UH e depois pelo 'Diário do Paraná', Rádio Colombo, Rádio Cultura do Paraná, e por outros veículos mais, de modo oculto, sem que eu tenha sentido ter vendido o meu próprio trabalho.
Pois bem: a redescoberta de minha condição de vendedor pôde ser registrada com maior evidência e consciência quando fazia compras e vendas, tanto de casas e apartamentos quanto de veículos de minha propriedade. Uma após outra, essas vendas ocorriam sempre de modo satisfatório para ambos os lados, tanto para mim, que conseguia vender, quando para o comprador, que se satisfazia com o que adquirira. Lembro uma vez quando queria vender o meu SP 2 e o tinha exposto numa esquina ideal, na Coronel Dulcídio com Av. Batel: um casal simples, com uma criança no colo, extasiava-se com o veículo e queria porque queria comprar o produto. Eu tive dois ímpetos, um de que sempre dizia a verdade sobre o produto que estava vendendo, ou seja, os seus defeitos, se no motor, se na lataria, e outro porque estava com pena do casal candidato a comprar o veículo. O carro dera-me boas dores de cabeça e eu avaliei que aquele modesto casal teria mais problemas para manter e consertar o veículo quando de seu uso. Falei francamente dos defeitos por um tempo, após o que o sujeito me respondeu: "pelo jeito o sr. gosta muito do carro porque está colocando os defeitos para não vender". Não era verdade no todo, mas, pensei, já que o cara quer, que leve...
Tenho mesmo vendido muita coisa na vida, e todas sempre dizendo a verdade sobre o produto, mesmo que alguns negócios demorem para ser concretizados. Descobrir que somos vendedores é uma boa, desde que tenhamos em mente de que qualquer venda deve ser boa para os dois lados, para quem vende e para quem compra. Se descobrirmos com bastante antecedência de que temos inclinação para negócios, seguramente quando vendermos o nosso trabalho para uma empresa ou uma outra pessoa teremos uma melhor noção do nosso próprio valor...
Você já pensou nisso algum dia?
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