Pessoas de ambos os sexos (entenda-se, homem e mulher) têm suas preferências nas conversas. Não sei bem o que as mulheres comentam nos seus encontos, banheiros principalmente, mas os homens são vidrados em chaves de carros. Constatei isso num encontro, quando um amigo perguntou o que era mesmo aquele trubisco em forma redonda do meu chaveiro. Mostrei que era um sinalizados, uma minilanterna, necessária para ver o painel ou interior do carro de noite.
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A autoeducação entre motorista e pedestre tem lá os seus estranhos resultados. Você viu o semblante irado de algumas pessoas quando passam pela faixa de pedestres no exato momento que um motorista não diminui ou não pára seu veículo? Aqui em Lages, SC, isso é visto todo dia e toda hora, nos pontos mais usados pelos pedestres. Acho que o pedestre também podia ser autoeducado: esperar que ele e mais pessoas quisessem juntos atravessar a rua seria um modo interessante de convivência pública...
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Receber telefonemas de pessoas menos letradas é uma curiosidade a ser avaliada: você já viu como as palavras 'por favor' estão extintas do vocabulário comum? Poucos pedem gentilmente que se chame uma pessoa...
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Pelos bairros de qualquer cidade é comum você verificar carros ou carrões circulando tendo ao volante jovens com bonés de abas dianteiras longas. Se houvesse um levantamento carro a carro que circulam, certamente se chegaria a dedução de que aqueles jovens são abonados, moram ou circulam por algum forte motivo; seriam traficantes ou controladores da distribuição de drogas?. Para o emergente jovem, traficante ou não, nos bairros, ter um carro e usar bonés parecidos com os dos corredores das Fórmulas 1 ou 2 é um sinal de crescimento, um 'status'. A primeira coisa que a Polícia faz, numa batida contra o tráfico, é revistar os bonezudos. E encontra sempre o que procura.
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Este blog ousa querer aumentar o conhecimento, registrando pensamentos, experiências, vivências, trocas. Afinal, são quase 50 anos buscando errar menos, acertar mais, ajeitar formas para entender e ampliar horizontes, ocupar os espaços, ser útil, fazer acontecer. E ter em mente que os próximos segundos, minutos, horas e dias serão bem melhores. Aceita-se todo tipo de ajuda, desde que tenha e ofereça otimismo. É a nossa declaração de princípios.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Formiga é formiga, é a natureza dela
Já que o Carlos Horylka está se deleitando com imagens do seu elefante, lá nas suas áreas africanas, vou falar sobre as formigas que assolam a grama e as árvores daqui da casa da praia de Pontal do Sul. Vi umas três grandes entradas delas, carregando principalmente folhas de sombreiros, que existem aos montes nas árvores e no chão. Comprei uns dez envelopes de veneno para as carregadeiras e fui colocando no carreiro delas e perto das entradas. Foram tantas as que levaram para baixo que hj de manhã fui ver o que aconteceu e observei que elas carregaram muito pra dentro, pois às voltas das saídas, fora, havia muito veneno espalhado. Ou seja: como elas se aninham no interior da terra, há as encarregadas de tirar terra e pô-la para fora, formando montinhos. Nesses montinhos, estavam espalhadas muitas partículas do veneno. As chefas deviam ter ordenado que limpassem espaço lá embaixo, pois havia muitos grãos verdes, além das saborosas folhinhas, lá nos fundos.
(da série 'Coisas In(uteis) da nossa vida', ou 'Ocupe-se na vida, mesmo envenenando formigas')
(da série 'Coisas In(uteis) da nossa vida', ou 'Ocupe-se na vida, mesmo envenenando formigas')
domingo, 29 de novembro de 2009
Você mede sua honestidade?
Um dia destes, um amigo conversava comigo sobre honestidade. Disse que ele, se tivesse de se safar de uma multa no trânsito, num posto de polícia rodoviária, não hesitaria em comprar a liberdade da multa. E me perguntou se eu faria o mesmo. Respondi de pronto que não, achava isso deplorável e nocivo à cidadania, um mau exemplo para si, para os próximos e para a sua imagem como pessoa e profissional.
E contei que, numa certa época, quando trabalhava na região de Pitanga, fui parado no posto da PRF no km 319 da BR 277 e o policial pediu meus documentos e disse que eu fui flagrado algums quilômetros atrás na velocidade de 168/h. Meu carro era um Kadett 1991, 2.0 e eu confirmei que poderia estar em velocidade superior, mas nunca a 168km/h, talvez uns 120, quando muito. Ele insistiu que foi a 168 e demorou bastante para lavrar a multa, amarrou-se bastante para pegar o talonário, na certa esperando alguma engraxada de bolso. Disse-lhe que eu estava em velocidade superior aos 110 permitidos, sim. Dei-lhe informações do que fazia, como jornalista e esperei que ele me liberasse, talvez me advertindo. Como demorou um pouco mais, uns 5 minutos mais, disse-lhe que cumprisse com seu dever, lavrasse a multa e eu iria recorrer. Recebi a multa, depois de mais demora...
Resultado: quando vi a multa, semanas depois, constatei que o guarda rodoviário tinha colocado que o evento, de 168km/h, ocorrera no km 319 daquela rodovia federal! Ora, era exatamente no km 319 que estava o posto da PRF, local impossível de eu passar com mais de 40 km/h! Gastei, na verdade, 200 reais, de honorários advocatícios, após fotografar a frente do posto policial com o marcador do km 319. Minha liberdade de multa poderia custar menos, mas minha consciência e meu espírito de cidadania não permitiram.
Agora mesmo, vendo o programa Globo Esporte, da Globo, entrevistavam jogadores, ex-jogadores e povo em geral perguntando se marcariam gol com a mão ou de modo irregular caso fosse possível e o juiz permitisse. Pois mais de 70% dos entrevistados disseram que sim, se pudessem, marcariam. Onde estamos com o nosso nível de honestidade, de consciência, do que é justo e verdadeiro!????
Estamos tão acostumados a ver, ler e constatar pessoas roubando, desviando, viciando concorrências e licitações, empregando parentes e cúmplices, ganhando mais ao arrepio das leis e das normas de conduta que o costume de levar vantagens em tudo se apresenta como normal aos olhos da população em geral. Sonharia com um mundo honesto, onde o direito de um começa quando termina o do outro ou que as coisas sejam justas para todos os interessados. Esse mundo existe ou é apenas uma utopia de alguns raciocínios de um domingo ensolarado de verão araucariense?
E contei que, numa certa época, quando trabalhava na região de Pitanga, fui parado no posto da PRF no km 319 da BR 277 e o policial pediu meus documentos e disse que eu fui flagrado algums quilômetros atrás na velocidade de 168/h. Meu carro era um Kadett 1991, 2.0 e eu confirmei que poderia estar em velocidade superior, mas nunca a 168km/h, talvez uns 120, quando muito. Ele insistiu que foi a 168 e demorou bastante para lavrar a multa, amarrou-se bastante para pegar o talonário, na certa esperando alguma engraxada de bolso. Disse-lhe que eu estava em velocidade superior aos 110 permitidos, sim. Dei-lhe informações do que fazia, como jornalista e esperei que ele me liberasse, talvez me advertindo. Como demorou um pouco mais, uns 5 minutos mais, disse-lhe que cumprisse com seu dever, lavrasse a multa e eu iria recorrer. Recebi a multa, depois de mais demora...
Resultado: quando vi a multa, semanas depois, constatei que o guarda rodoviário tinha colocado que o evento, de 168km/h, ocorrera no km 319 daquela rodovia federal! Ora, era exatamente no km 319 que estava o posto da PRF, local impossível de eu passar com mais de 40 km/h! Gastei, na verdade, 200 reais, de honorários advocatícios, após fotografar a frente do posto policial com o marcador do km 319. Minha liberdade de multa poderia custar menos, mas minha consciência e meu espírito de cidadania não permitiram.
Agora mesmo, vendo o programa Globo Esporte, da Globo, entrevistavam jogadores, ex-jogadores e povo em geral perguntando se marcariam gol com a mão ou de modo irregular caso fosse possível e o juiz permitisse. Pois mais de 70% dos entrevistados disseram que sim, se pudessem, marcariam. Onde estamos com o nosso nível de honestidade, de consciência, do que é justo e verdadeiro!????
Estamos tão acostumados a ver, ler e constatar pessoas roubando, desviando, viciando concorrências e licitações, empregando parentes e cúmplices, ganhando mais ao arrepio das leis e das normas de conduta que o costume de levar vantagens em tudo se apresenta como normal aos olhos da população em geral. Sonharia com um mundo honesto, onde o direito de um começa quando termina o do outro ou que as coisas sejam justas para todos os interessados. Esse mundo existe ou é apenas uma utopia de alguns raciocínios de um domingo ensolarado de verão araucariense?
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Pensemos um pouco sem estressar
Se muitos administradores, políticos principalmente, tanto nas Câmaras Municipais, Assembléias ou mesmo Prefeituras, querem acabar com os fumantes, por que não acionar os senadores e deputados federais e proibam, através de lei, a ser sancionada pelo Presidente da República, a existência de cigarros, charutos, cachimbos em todo o território brasileiro? Acabem com as fábricas de cigarros e estará resolvido, em definitivo, pelo menos na cabeça dos que fazem politicagem barata,o problema do câncer de pulmão...
Muito bonito um prefeito anunciar que sanciona a lei proibindo fumar tanto interna, quanto externamente, e inclusive nas vias públicas, quando sabe perfeitamente que isso - como o jogo do bicho, as jogatinas clandestinas, o tráfico de drogas mil, os equipamentos caça-níqueis e todos os atos de corrupção em nossos rincões brasileiros - vai continuar e cada vez mais. Muitos conhecem o comportamento dos usuários: quanto mais se proibe mais se consome. Se muitos morrem de cirrose, por que não acabar com os alambiques oficiais e clandestinos? Por que deixar a proliferação de bares vendendo cervejas e outras bebidas se isso faz mal para a saúde?
Se o fumo é um grande mal para a saúde, e ele realmente o é, o que dizer do combustível adulterado e cheio de químicos nocivos à saúde gerando doenças nas vias públicas das grandes, médias e pequenas cidades? Não seria melhor fiscalizar as empresas que fornecem água dita tratada que incluam medicamentos eficientes para que a população, ingerindo-a, tenha prevenções na boca e no corpo? Não seria ideal que todos os governos buscassem meios para nosso transporte coletivo e individual poluir cada vez menos com as invenções já existentes no mundo, com motores movidos à água? E onde está o programa de tratamento de esgoto, que todo cidadão merece?
Bom, proibir a fumacinha até em vias públicas vai realmente resolver o problema dos que morrem por doenças de respiração. Que país e mundo estranhos...
Muito bonito um prefeito anunciar que sanciona a lei proibindo fumar tanto interna, quanto externamente, e inclusive nas vias públicas, quando sabe perfeitamente que isso - como o jogo do bicho, as jogatinas clandestinas, o tráfico de drogas mil, os equipamentos caça-níqueis e todos os atos de corrupção em nossos rincões brasileiros - vai continuar e cada vez mais. Muitos conhecem o comportamento dos usuários: quanto mais se proibe mais se consome. Se muitos morrem de cirrose, por que não acabar com os alambiques oficiais e clandestinos? Por que deixar a proliferação de bares vendendo cervejas e outras bebidas se isso faz mal para a saúde?
Se o fumo é um grande mal para a saúde, e ele realmente o é, o que dizer do combustível adulterado e cheio de químicos nocivos à saúde gerando doenças nas vias públicas das grandes, médias e pequenas cidades? Não seria melhor fiscalizar as empresas que fornecem água dita tratada que incluam medicamentos eficientes para que a população, ingerindo-a, tenha prevenções na boca e no corpo? Não seria ideal que todos os governos buscassem meios para nosso transporte coletivo e individual poluir cada vez menos com as invenções já existentes no mundo, com motores movidos à água? E onde está o programa de tratamento de esgoto, que todo cidadão merece?
Bom, proibir a fumacinha até em vias públicas vai realmente resolver o problema dos que morrem por doenças de respiração. Que país e mundo estranhos...
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Livre pensar (talvez agir ou esperar por agir)
Se você morar numa cidade como Lages, deve imaginar que seu trânsito flui normal ou tranquilamente. Sua imaginação estaria certa, se não houvessem alguns sinaleiros que chegam a demorar 4 minutos para abrir e, nas extensões de comandos, algumas direções demoram 6 segundos para fecharem. Interessante que cidade como Gramado, no RS, nem possui sinaleiros e os acidentes ocorrem quando alguns portoalegrenses chegam em suas vias, segundo relato de residentes gramadenses, com seus pés acelerados e vistas desatentas.
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Brincando um dia numa das reuniões de amigos e conhecidos, ousei revelar alguns detalhes de estórias que me contaram sobre os lageanos, que seriam conhecidos como ´gaúchos cansados´... Essas estórias eram contadas sobre os princípios do povoamento lageano: mais de 300 anos atrás, as famílias gaúchas viam crescerem seus descendentes e suas terras ficavam pequenas para dividir entre os herdeiros. Formaram-se as tropas para desbravar outras plagas para o Norte e Noroeste do Brasil. Dizem que essas tropas, 50 km além fronteira, acampavam e descansavam num belo vale da Serra catarinense. Alguns prosseguiam, outros ficavam descansando. Dizem que esses outros continuaram descansando e daí surgiu uma bela cidade, mais tarde conhecida como de gaúchos cansados. Pareceu brincadeira, quando ouvi na platéia, de parte de um historiador amigo, que essas coisas aconteceram mesmo, daí o tom humorístico do relato.
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Se o cigarro é prejudicial à saúde, sendo proibido em lugares abertos, por que motivo as autoridades permitem o funcionamento das fábricas no Brasil? Fechassem as ditas, a bem da saúde do povo. Mas, e os 80% de impostos que incidem sobre o tabaco no Brasil, o governo abriria mão disso?
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Se estamos vivendo um planeta cada vez mais aquecido, por que empresas como Petrobrás processam combustíveis que poluem as cidades e provocam constantes distúrbios nas populações, em termos de saúde pública? Que tal obrigar o uso de energia que não afete e não prejudique a população? Por que as autoridades permitem produção de veículos com tecnologia poluidora?
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A indústria de doenças e de remédios estaria ganhando tanto no mundo, no Brasil principalmente, caso as populações utilizassem água tratada com medicamentos e produtos preventivos para a saúde? Há cidades que oferecem água tratada até para evitar o surgimento de cáries. Saúde pública, aqui na terrinha, é questão de polícia, se todos seguissem os mandamentos constitucionais...
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Isso é apenas um livre pensar, num dia de setembro qualquer.
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Brincando um dia numa das reuniões de amigos e conhecidos, ousei revelar alguns detalhes de estórias que me contaram sobre os lageanos, que seriam conhecidos como ´gaúchos cansados´... Essas estórias eram contadas sobre os princípios do povoamento lageano: mais de 300 anos atrás, as famílias gaúchas viam crescerem seus descendentes e suas terras ficavam pequenas para dividir entre os herdeiros. Formaram-se as tropas para desbravar outras plagas para o Norte e Noroeste do Brasil. Dizem que essas tropas, 50 km além fronteira, acampavam e descansavam num belo vale da Serra catarinense. Alguns prosseguiam, outros ficavam descansando. Dizem que esses outros continuaram descansando e daí surgiu uma bela cidade, mais tarde conhecida como de gaúchos cansados. Pareceu brincadeira, quando ouvi na platéia, de parte de um historiador amigo, que essas coisas aconteceram mesmo, daí o tom humorístico do relato.
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Se o cigarro é prejudicial à saúde, sendo proibido em lugares abertos, por que motivo as autoridades permitem o funcionamento das fábricas no Brasil? Fechassem as ditas, a bem da saúde do povo. Mas, e os 80% de impostos que incidem sobre o tabaco no Brasil, o governo abriria mão disso?
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Se estamos vivendo um planeta cada vez mais aquecido, por que empresas como Petrobrás processam combustíveis que poluem as cidades e provocam constantes distúrbios nas populações, em termos de saúde pública? Que tal obrigar o uso de energia que não afete e não prejudique a população? Por que as autoridades permitem produção de veículos com tecnologia poluidora?
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A indústria de doenças e de remédios estaria ganhando tanto no mundo, no Brasil principalmente, caso as populações utilizassem água tratada com medicamentos e produtos preventivos para a saúde? Há cidades que oferecem água tratada até para evitar o surgimento de cáries. Saúde pública, aqui na terrinha, é questão de polícia, se todos seguissem os mandamentos constitucionais...
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Isso é apenas um livre pensar, num dia de setembro qualquer.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Sou culpado, sim (1)
Levei anos para descobrir que existia um espaço para ser ocupado por mim neste mundo visto como cruel. Eram anos e mais anos e na minha cabeça estava esperando o dia em que estaria ocupando um lugar no contexto geral. Ele foi chegando e, com a maturidade, pensei algum tempo depois que minha vida podia fazer a diferença tanto para mim, para meus familiares quanto para os meus semelhantes. No jornalismo, iniciado ali pelos 18 anos, numa redação e num meio profissional atuante, cheio de professores atenciosos com o bagrinho que estava no pé deles aprendendo o ofício, assimilando a coisa toda, sempre tive a preocupação de transformar a notícia, boa ou ruim, imaginando (de forma inconsciente até, confesso) melhorar o mundo em que todos vivemos. Ou seja, nada de palavras difíceis de serem interpretadas.
Cruzadista inveterado nos bancos escolares e nos tempos de folga, chegando a desenhar/montar palavras cruzadas e enviar a uma revista permitida para leitura no Seminário Menor São Vicente de Paula, que as publicava mensalmente, lia praticamente o dicionário português em sua totalidade. Fazia redações simples, com as palavras normais e ia ao dicionário transformar cada uma dessas palavras simples numa diferente, melhor, no meu entendimento. E assim enriqueci (e talvez compliquei) o meu vocabulário, lendo de três a quatro livros por semana. A biblioteca do Seminário Menor, em dois anos, foi literalmente devorada pelos meus olhos e pela minha busca pelo saber.
Quero resumir essas colocações para dizer que vim de uma família pobre, mãe costureira e pai ferreiro por formação na Polônia (havia isso naqueles tempos, o profissional do ferro-e-fogo tinha que ser formado, aprender a fazer arado, ferradura, rodas de carroça com madeira e ferro, etc.) e, seguramente pressionada pela cultura européia, que não permitia que os filhos ficassem analfabetos ou semi-alfabetizados. Obrigava-nos, filhos, a estudar, a ser alguém na vida, segundo nos diziam a toda hora. No Grupo Escolar Presidente Pedrosa, ali na República Argentina, início da Rua Morretes, no Portão, lá estava eu estudando, qual peixe fora da água, indo descalço para a sala de aula por não ter sapatos. Lembro como era frio o chão da rua nos tempos de inverno da Curitiba de outrora...
Os demais passos escolares não foram fáceis, depois dos quatro anos de grupo escolar, tentei entrar para o curso secundário, sempre com dificuldades com a aritmética/matemática; levei bombas em dois exames de admissão no Instituto de Educação exatamente por não ter base e não gostar de números. No segundo ano de tentativa frustrada, puseram-me no Seminário, dizendo ao padre José Zajac, na época receptor de novos alunos, que talvez a minha vocação seria para o clero. Creio que ali foi o ponto de partida de minha vida profissional. Fui ensinado a ler, escrever e a viver em comunidade, em grupo, no esporte e nas regras de cidadania. Em dois anos, tempo em que fiquei ali em Araucária, penso ter sido moldado para os estudos e para a busca do crescimento pessoal, intelectual, sentimental e religioso. Ah, sim, e ingressar nos meandros da arte de liderar (isso descobri bem mais tarde).
Essa viagem pelo tempo vivido tem muitas situações ainda a serem reveladas. Vou dar um tempo no roteiro das reminiscências para concluir e justificar o título acima, de que sou culpado, sim. Vocês certamente vão concordar comigo.
Cruzadista inveterado nos bancos escolares e nos tempos de folga, chegando a desenhar/montar palavras cruzadas e enviar a uma revista permitida para leitura no Seminário Menor São Vicente de Paula, que as publicava mensalmente, lia praticamente o dicionário português em sua totalidade. Fazia redações simples, com as palavras normais e ia ao dicionário transformar cada uma dessas palavras simples numa diferente, melhor, no meu entendimento. E assim enriqueci (e talvez compliquei) o meu vocabulário, lendo de três a quatro livros por semana. A biblioteca do Seminário Menor, em dois anos, foi literalmente devorada pelos meus olhos e pela minha busca pelo saber.
Quero resumir essas colocações para dizer que vim de uma família pobre, mãe costureira e pai ferreiro por formação na Polônia (havia isso naqueles tempos, o profissional do ferro-e-fogo tinha que ser formado, aprender a fazer arado, ferradura, rodas de carroça com madeira e ferro, etc.) e, seguramente pressionada pela cultura européia, que não permitia que os filhos ficassem analfabetos ou semi-alfabetizados. Obrigava-nos, filhos, a estudar, a ser alguém na vida, segundo nos diziam a toda hora. No Grupo Escolar Presidente Pedrosa, ali na República Argentina, início da Rua Morretes, no Portão, lá estava eu estudando, qual peixe fora da água, indo descalço para a sala de aula por não ter sapatos. Lembro como era frio o chão da rua nos tempos de inverno da Curitiba de outrora...
Os demais passos escolares não foram fáceis, depois dos quatro anos de grupo escolar, tentei entrar para o curso secundário, sempre com dificuldades com a aritmética/matemática; levei bombas em dois exames de admissão no Instituto de Educação exatamente por não ter base e não gostar de números. No segundo ano de tentativa frustrada, puseram-me no Seminário, dizendo ao padre José Zajac, na época receptor de novos alunos, que talvez a minha vocação seria para o clero. Creio que ali foi o ponto de partida de minha vida profissional. Fui ensinado a ler, escrever e a viver em comunidade, em grupo, no esporte e nas regras de cidadania. Em dois anos, tempo em que fiquei ali em Araucária, penso ter sido moldado para os estudos e para a busca do crescimento pessoal, intelectual, sentimental e religioso. Ah, sim, e ingressar nos meandros da arte de liderar (isso descobri bem mais tarde).
Essa viagem pelo tempo vivido tem muitas situações ainda a serem reveladas. Vou dar um tempo no roteiro das reminiscências para concluir e justificar o título acima, de que sou culpado, sim. Vocês certamente vão concordar comigo.
terça-feira, 31 de março de 2009
Uma escorregada, desculpável, de Jaime Lerner...
O afamado e competente arquiteto do mundo Jaime Lerner esteve nos 316 anos de Curitiba, na Assembléia Legislativa do Paraná, e fez um pronunciamento em nome de todos os ex-prefeitos. Perfeito do começo ao quase fim, vocês poderão ler abaixo, não fosse ele citar o petit pavê como um símbolo de Curitiba, esquecendo-se do fato de que essas pedrinhas irregulares postas no calçamento são verdadeiras armas contra os idosos e contra os que possuem deficiências no ir e vir pela Cidade Sorriso repleta hoje de ar poluído de milhares veículos.
"Olhando Curitiba, vejo muitas cidades. Há uma cidade tradicional. Há uma cidade da inovação. Há muitos sotaques, cada um carregando uma história, cada um representando uma cidade. Há o sofrimento de alguns, que esperam diluí-lo na solidariedade e na oportunidade, que são a síntese de uma cidade, qualquer cidade. Há a realização da maioria, que multiplica as oportunidades e determina a história de uma cidade. E há uma unidade, que faz de todas estas cidades uma única cidade. Uma cidade única, em que todas as gentes – de alguma maneira – se transformam numa só gente. Curitiba é síntese da diversidade porque foi e tem sido a cidade acolhida. Gente de mundos distantes, perseguida por questões religiosas ou pela pobreza. Gente daqui de perto, tolhida por dificuldades crônicas ou embalada por novas buscas. Todos encontraram na nossa Curitiba a vereda da oportunidade. Era natural que os dirigentes escolhidos para conduzir os nossos destinos tivessem, eles também, estilos bem diversos, cada um com suas influências, cada uma com suas convicções, cada um com sua época e sua visão de futuro. Acolhedora, buscou empreendedores do mundo para criarem com os empresários daqui uma base industrial e de serviços que mudou o perfil econômico e multiplicou as ofertas de trabalho e renda. Hoje são 83 as cidades do mundo que estão adotando o BRT, que é o Bus Rapid Transit, que é uma criação nossa de tantos anos. E são centenas as páginas que todos os anos a cidade ocupa na imprensa internacional, como são muitas dezenas de minutos que nossas imagens ocupam nas televisões ao redor do mundo. Tornar-se referência tem a ver também com uma outra coragem. A coragem de iniciar um processo, de não esperar todas as respostas. Sem prejuízo do bom planejamento – e o planejamento é justamente um dos pilares de Curitiba –, é preciso algum compromisso com as possibilidades que surgirão no caminho. Isso porque nem tudo pode ser previsto na dinâmica de nossas cidades, que experimentaram um crescimento veloz nos últimos 40 anos. Muitas das conquistas de Curitiba, hoje consolidadas, começaram como um processo aberto. E esta é a bênção de uma cidade: a capacidade de construir novas e melhores respostas ao longo do processo, sem engessar-se em concepções vencidas. Há ainda o discernimento. Tal diversidade de estilos só enriqueceu a nossa cidade, cada um acrescentando novas perspectivas à moldura do nosso destino. É honroso falar em nome de todos os ex-prefeitos. Mas há o risco da injustiça, pois seria muito factível a traição do esquecimento fazer omitir nomes importantes nestes 316 anos de história. Tampouco seria viável, no espaço de tempo limitado de uma solenidade, deter-se na obra de cada um. Assim, para ser justo com todos, não citarei nomes, mas devo afirmar a contribuição de cada um. Cada um contribuiu. Das obras determinantes até a pequena pedra, o desenho de Curitiba foi moldado gestão a gestão pela vontade de erguer uma cidade que fosse a expressão de sua gente e se projetasse esperançosa para o futuro. De síntese do mundo, Curitiba chegou a referência para o mundo. E isso porque teve a coragem de assumir a simplicidade. Isso é altamente inovador porque a simplicidade é também um processo de síntese. E não é da praxe eleger-se o óbvio. Muitas vezes prefere-se o sofisma, que é o atalho certo para o não fazer, o não resolver. Curitiba elegeu o óbvio. O simples. O evidente.Cidade sem mar, entregou-se ao verde. Cidade sem crescimento acelerado, fez um sistema de transporte integrador, democrático, eficiente em sua simplicidade. Curitiba é uma cidade que sempre soube discernir entre o importante e o fundamental. Uma rua é importante. O sistema viário é fundamental. Uma linha de ônibus é importante. O sistema de transporte é fundamental. Uma praça é importante. Um conjunto de parques capaz de preservar o verde e garantir o lazer da população é fundamental. Uma edificação história é importante. A memória como um todo é fundamental. Em cada época, a Cidade de Curitiba soube equacionar suas demandas presentes e, ao mesmo tempo, abrir o caminho para suas aspirações e necessidades futuras. E se impôs o desafio da inovação. Desafio que todos os prefeitos têm aceito, e do qual a cidade é a grande beneficiária. Porque ao inovar-se, gera a energia para equacionar velhos problemas e alimentar os novos sonhos. E esses são os meus votos. Que a cidade não abandone as suas tradições. Que a cidade não se afaste da inovação. E que não excomungue o petit pavê. O petit pavê é o tapete de nossa história. Merece a preservação e o nosso respeito.” Jaime Lerner
Se dissesse que, uma vez cuidadas as calçadas com petit pavê com competência pelas várias administrações, incluindo aí as diversas dele, o petit pavê poderia não ser excomungado...
"Olhando Curitiba, vejo muitas cidades. Há uma cidade tradicional. Há uma cidade da inovação. Há muitos sotaques, cada um carregando uma história, cada um representando uma cidade. Há o sofrimento de alguns, que esperam diluí-lo na solidariedade e na oportunidade, que são a síntese de uma cidade, qualquer cidade. Há a realização da maioria, que multiplica as oportunidades e determina a história de uma cidade. E há uma unidade, que faz de todas estas cidades uma única cidade. Uma cidade única, em que todas as gentes – de alguma maneira – se transformam numa só gente. Curitiba é síntese da diversidade porque foi e tem sido a cidade acolhida. Gente de mundos distantes, perseguida por questões religiosas ou pela pobreza. Gente daqui de perto, tolhida por dificuldades crônicas ou embalada por novas buscas. Todos encontraram na nossa Curitiba a vereda da oportunidade. Era natural que os dirigentes escolhidos para conduzir os nossos destinos tivessem, eles também, estilos bem diversos, cada um com suas influências, cada uma com suas convicções, cada um com sua época e sua visão de futuro. Acolhedora, buscou empreendedores do mundo para criarem com os empresários daqui uma base industrial e de serviços que mudou o perfil econômico e multiplicou as ofertas de trabalho e renda. Hoje são 83 as cidades do mundo que estão adotando o BRT, que é o Bus Rapid Transit, que é uma criação nossa de tantos anos. E são centenas as páginas que todos os anos a cidade ocupa na imprensa internacional, como são muitas dezenas de minutos que nossas imagens ocupam nas televisões ao redor do mundo. Tornar-se referência tem a ver também com uma outra coragem. A coragem de iniciar um processo, de não esperar todas as respostas. Sem prejuízo do bom planejamento – e o planejamento é justamente um dos pilares de Curitiba –, é preciso algum compromisso com as possibilidades que surgirão no caminho. Isso porque nem tudo pode ser previsto na dinâmica de nossas cidades, que experimentaram um crescimento veloz nos últimos 40 anos. Muitas das conquistas de Curitiba, hoje consolidadas, começaram como um processo aberto. E esta é a bênção de uma cidade: a capacidade de construir novas e melhores respostas ao longo do processo, sem engessar-se em concepções vencidas. Há ainda o discernimento. Tal diversidade de estilos só enriqueceu a nossa cidade, cada um acrescentando novas perspectivas à moldura do nosso destino. É honroso falar em nome de todos os ex-prefeitos. Mas há o risco da injustiça, pois seria muito factível a traição do esquecimento fazer omitir nomes importantes nestes 316 anos de história. Tampouco seria viável, no espaço de tempo limitado de uma solenidade, deter-se na obra de cada um. Assim, para ser justo com todos, não citarei nomes, mas devo afirmar a contribuição de cada um. Cada um contribuiu. Das obras determinantes até a pequena pedra, o desenho de Curitiba foi moldado gestão a gestão pela vontade de erguer uma cidade que fosse a expressão de sua gente e se projetasse esperançosa para o futuro. De síntese do mundo, Curitiba chegou a referência para o mundo. E isso porque teve a coragem de assumir a simplicidade. Isso é altamente inovador porque a simplicidade é também um processo de síntese. E não é da praxe eleger-se o óbvio. Muitas vezes prefere-se o sofisma, que é o atalho certo para o não fazer, o não resolver. Curitiba elegeu o óbvio. O simples. O evidente.Cidade sem mar, entregou-se ao verde. Cidade sem crescimento acelerado, fez um sistema de transporte integrador, democrático, eficiente em sua simplicidade. Curitiba é uma cidade que sempre soube discernir entre o importante e o fundamental. Uma rua é importante. O sistema viário é fundamental. Uma linha de ônibus é importante. O sistema de transporte é fundamental. Uma praça é importante. Um conjunto de parques capaz de preservar o verde e garantir o lazer da população é fundamental. Uma edificação história é importante. A memória como um todo é fundamental. Em cada época, a Cidade de Curitiba soube equacionar suas demandas presentes e, ao mesmo tempo, abrir o caminho para suas aspirações e necessidades futuras. E se impôs o desafio da inovação. Desafio que todos os prefeitos têm aceito, e do qual a cidade é a grande beneficiária. Porque ao inovar-se, gera a energia para equacionar velhos problemas e alimentar os novos sonhos. E esses são os meus votos. Que a cidade não abandone as suas tradições. Que a cidade não se afaste da inovação. E que não excomungue o petit pavê. O petit pavê é o tapete de nossa história. Merece a preservação e o nosso respeito.” Jaime Lerner
Se dissesse que, uma vez cuidadas as calçadas com petit pavê com competência pelas várias administrações, incluindo aí as diversas dele, o petit pavê poderia não ser excomungado...
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