quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cantinho Métio (II)

Sempre ruim em matemática, a ponto de não conseguir pontuação para exame de admissão em ginásio, ali pelo final da década de 50, em duas vezes, eis que meus pais resolveram me mandar para o Seminário Menor São Vicente de Paulo, em Araucária, internando-me ali por dois anos. Foram dois anos diferentes, muito estudo, muita disciplina, com um aprendizado nunca esquecido.
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Padres em sua maioria nascidos e vindos da Polônia, exigentes, deram-nos aulas e castigos por falhas e faltas, mas o que foi assimilado serviu para as andanças posteriores. A maioria dos alunos era formada por filhos de colonos, majoritariamente de descendência polonesa. Sabem lá o que é ter aulas no primeiro ano de ginásio e aprender cinco línguas? Português, claro, mais inglês, francês, latim e polonês. Ter aulas ginasiais com história do Brasil e história geral, geografia completa.
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Nomes de professores que marcaram: José Damek, José Zajac, Domingos Wisniewski (que chegou a bispo), Pawel Paszyna. Eram aulas pela manhã inteira e a tarde dedicada a estudos num enorme salão onde estavam mais de 120 seminaristas. Havia cinco séries, o pré-ginasial e as demais quatro ginasiais. Os mais velhos e de classes avançadas ficavam na parte dos fundos, havia um monitor geral. E não havia jeito de enganar, tinha que estudar.
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Claro que continuei com dificuldades em matemática, passando sempre raspando, mas o português foi assimilado de tal forma que da terceira série em diante, até os bancos iniciais da universidade, nunca precisei de grande esforço na escrita. Posso dizer que, graças ao tempo de Seminário e das aulas de português, leitura, virgulação, composição de textos, ganhei uma profissão como escriba. E foi um pulo, aos 16-17 anos, para as redações de jornais. O primeiro emprego, como repórter, foi a Ultima Hora, em 1962, quando completei 18 anos.
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Há muita coisa para relembrar do Seminário. Darei uma rememorada em breve, com mais curiosidades. E peripécias de jovem, filho de ferreiro e de costureira, nos bancos escolares e fora deles. Há coisas que acho podem aguçar os amigos que nos visitam.

Um comentário:

Betty disse...

Adoro suas histórias.