segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cidadãos de pedra e de gaiolas

Vou ser avaliado como uma pessoa diferente, por alguns, e doido, por outros. Mas, o que as pessoas da cidade sabem da natureza? Quase nada. As cidades vão crescendo porque as pessoas saem dos sítios, de suas casas com jardins e quintais e passam a morar em apartamentos. Eles, os adultos, até que se lembram do que é grama, árvore, insetos, bichinhos, mas os filhos e os netos nada sabem sobre isso.
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Ver brotar uma flor, uma semente germinando, surgindo o tronco, criando folhas. Saber o que é um formigueiro, um enxame de abelhas, besouros, andorinhas, saracuras, tucano, gavião, um ninho de pássaros, como as galinhas botam, como e porque os galos cantam, gansos, patos, animais como capivaras, jaguatirica, lagartos, etc. Isso tudo, para a maioria absoluta de crianças que moram em gaiolas urbanas, existe mas é perigoso, segundo pais zelosos que transformam seus filhos e netos em seres de pedra e do asfalto.
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Vai longe o tempo em que nós, crianças, tínhamos aulas práticas de como fazer uma horta, como semear alface, repolho, cenoura, beterraba, plantar batata doce, batata inglesa, ver uma lavoura de milho, de trigo ou centeio, participar das colheitas, ver como os adultos de então se reuniam para colherem comunitariamente os seus trigais, milharais, etc. Como colher manualmente era difícil e demorado, o governo fornecia colheitadeiras e, ali, alternamente na casa dos produtores, os vizinhos se juntavam nos chamados pixerões (mutirões de hoje) e faziam a colheita do trabalho individual.
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Quanto tempo levaria para que os novos cidadãos conheçam o que realmente é a natureza? Ouvem falar do meio ambiente e nem se ordenam para diminuir o lixo que produzem todo dia em sua casa, nas ruas, no trabalho. Brigam pela internet pela preservação do meio ambiente sem ao menos saber quantos produtos químicos são jogados diariamente em alimentos que ingerem. Ficam teorizando coisas sem ir à fonte das coisas.
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Que pena estarmos vivendo momentos em que as crianças nada sabem e pouco saberão sobre o mundo em que vivem. Das suas gaiolas de pedra, contemplam um mundo bem restrito, como restrita será a sua convivência com o natural, o simples.

Um comentário:

Betty disse...

Concordo plenamente com você. Eu, como professora, sinto muito isto, da falta das crianças se envolverem com projetos, até mesmo com uma simples horta. Seria tão bom se os "bons" tempos voltassem, onde não houvesse tanta tecnologia e sim mais criatividade.