sábado, 14 de julho de 2007

A dureza da primeira pessoa

Confesso que tive muitas dificuldades, e isso durou alguns anos, para me condicionar a usar a primeira pessoa quando escrevia qualquer tipo de texto jornalístico. Você imagina sair do seu costume, do seu jeito, quando durante mais de 10 anos usava nos textos apenas a terceira pessoa? Pois foi assim.

No início da atividade jornalística, na redação da 'Última Hora', nosso manual de redação orientava que os textos deveriam sempre ser impessoais, nada de comentários na notícia e muito menos o uso da primeira pessoa. A não ser que fosse coluna social, então comandada pela saudosa amiga Celina Luz e pelo não menos saudoso Nelsinho Faria.

No UH, minha coluna era chamada 'Fala o Povo", tendo substituído um grande amigo, inclusive de moradia, Sérgio Almeida (ele, Mauro e Dutra me deixavam morar no seu apartamento do Edifício Asa), claro que a primeira pessoa não era usada. Quando passamos, Mauro Ticianelli, Celina Luz e eu, para o jornal 'Diário do Paraná', ainda em 1964, depois de fechado o jornal UH, minha coluna continuava usando a terceira pessoa, com o nome 'O Povo Reclama'. Mais tarde, assumindo a coluna 'Ciranda dos Clubes', o tratamento na terceira pessoa continuou.

Mesmo quando assumi o lugar de Eddy Antonio Franciosi, tanto na coordenação do Concurso Miss Paraná quanto na coluna social do 'Diário do Paraná', dei continuidade ao padrão, sempre na terceira pessoa.

E estava bem assim até que assumi a Assessoria de Relações Públicas da Copel em Cascavel e, ao mesmo tempo, a coluna social do jornal 'O Paraná', em meados de 1976. Começou meu drama interior de usar a primeira pessoa, até pelo costume dali, em coluna social. Acho que cheguei a me acostumar com isso uns três anos depois. Sempre achei que era um tanto pretensioso vocë usar a primeira pessoa nos textos. E tinha meus motivos: a simplicidade na comunicação deveria ser a mais impessoal possível, ela se apresentaria ao leitor mais suavemente sem uma postura pessoal, sem uma posição, sem um direcionamento, sem impor nada a ninguém.

Bom, continuo achando que redigir qualquer assunto, com conteúdo, na terceira pessoa, ainda seria uma boa. Você se compromete menos, não opina, não chama processos e desmentidos e permite que o seu leitor decida em que posição está, se está a favor ou contra, se aquele conteúdo acrescenta ou não no seu conhecimento, se a função jornalística foi ou está sendo bem exercida.

Tenho alguns autores que são mestres no tema. Prometo, um dia, mencionar seus nomes.

Um comentário:

Maria disse...

Uma vez assinado não há como escapar. Na primeira ou na terceira pessoa só vem à mente do leitor a cara do autor do texto.
E acho justo que seja assim.