sábado, 23 de junho de 2007

O mundo dos e-mailados

Nos últimos quinze anos, um pouco mais, um pouco menos, tenho acompanhado o quanto evoluiu o sistema de comunicação entre as pessoas e empresas. Pouco se telefona para outro, como outrora, pois o custo está cada vez mais salgado. Pouco se escreve, pois os selos estão saindo, também, os olhos da cara. Quase que está extinto o envio de fax, mesmo que ele tenha credibilidade extra-oficial nas esferas gerais. E muito se usa o sistema inovador do e-mail.
Bom, muito se usa, sim, mas pouco se aproveita. Como já foi novidade, muita gente aderiu, comprou computador, foi a aulas específicas, aprendeu a usar o Word, o Power Point, o Reader. O maior problema é que aquele hábito antigo, dos meus tempos escolares e adolescente, de receber e responder, por educação pelo menos, com o sistema de e-emails isso mudou.
O pessoal usa, lê, recebe, deleta e na maioria das vezes nem se incomoda em responder, dizer que não quer mais participar da lista, que gostou ou não gostou daquele assunto.
Enfim, estou desconfiado que, paradoxalmente, enquanto a novidade foi assimilada, pelo baixo custo e facilidade de inter-comunicação entre as pessoas, o distanciamento entre estas aumentou com a existência e com o funcionamento do e-mail; a relação entre os e-mailados parece que diminuiu, pois, quando se encontram fisicamente apenas sorriem, se abraçam e nada comentam sobre o que houve na inter-comunicação às vezes forçada, outras vezes pelo menos curiosa.
De minha parte, entretanto, dentro da linha perniciosa de otimista, como sou acusado por alguns dos meus conhecidos, acredito que nunca teria podido ver e ler livros ou publicações existentes em bibliotecas, ou ter visto filmagens ou situações que melhoraram as cores da minha mente, do meu conhecimento.
Claro, sonhador e idealista como sou, estaria mais agradado e satisfeito se os membros de minha lista particular, perto de cem, por vezes dissessem alguma coisa sobre algum assunto que devo estar abarrotando suas caixas de mensagens.

Um comentário:

Maria disse...

Oi cumpadre!!!
Mal de brasileiro, meu caro.
Não confirma presença, não retorna recados, não responde e-mails.
Não todos, felizmente e os comunicativos merecem todo nosso carinho.
Mas há outro lado da questão. Essa indiferença não significa rejeição. Te garanto. Ficam contentes com a lembrança, só que arquivam tudo. A mensagem, a reação e a resposta. Pena.Sabotam o calor humano.